Prioridades, Políticas e Projetos
Texto Dr.Augusto E. Braga
Num município que, desde sua origem, sempre foi privilegiado
e admirado, pela natureza no qual está inserida, no caso a Mata Atlântica, em
toda a sua história pouco se fez para proteger os seus ecossistemas.
A urbanização desordenada, o consumo insustentável e o
aumento populacional sem planejamento estão entre os grandes problemas para a
manutenção dos serviços ambientais fornecidos pela natureza.
Os serviços ambientais mais importantes incluem o provimento
de recursos hídricos em quantidade e qualidade, a manutenção do ciclo de
chuvas, a regulação do clima do planeta, a formação dos solos, o controle de
erosão, o armazenamento de carbono, a proteção de biodiversidade, a proteção
contra desastres, o provimento de alimentos, de belezas cênicas naturais para
lazer e outros tipos de prazer, e a manutenção de recursos genéticos das
variadas espécies nativas da fauna e da flora, dentre outros.
A falta de conhecimento da importância da manutenção das
florestas da Mata Atlântica, e da conseqüente e gradativa perda dos serviços
ambientais citados é fruto da ausência de uma política efetiva de EDUCAÇÃO
AMBIENTAL, em todos os níveis.
E quando falamos em todos os níveis citamos
hierarquicamente, as “autoridades” técnicas e políticas, que criam leis tanto
de proteção e preservação como as que punem a degradação e a devastação da
natureza pelo homem, os empresários, os educadores, representantes da sociedade
civil, universitários e escolares e a população.
Todo município privilegiado por estar situado na Região
Serrana do Estado do Rio de Janeiro, ou em qualquer outro ecossistema da Mata
Atlântica, deveria priorizar as políticas e os projetos que visam preservar o
patrimônio ecológico de seu entorno, antes de tudo..
Governantes, empresários, educadores, representantes da
sociedade civil, estudantes e representantes das várias classes da população
devem discutir decidir e agir em prol do conhecimento do que ainda resta de Mata
Atlântica para depois protegerem, preservarem e se utilizarem desse patrimônio
ecológico de uma forma real e eficazmente sustentável.
Essa Mata Atlântica que ocupava 130 milhões de hectares de
17 estados brasileiros originalmente, hoje, consiste em 7,3% da cobertura
original quando considerados fragmentos com mais de 100 hectares.
Isso é gravíssimo, pois quer dizer que mais de 50% de sua
fauna já desapareceu, muitas vezes sem sequer serem conhecidas várias espécies
de aves, mamíferos, repteis e anfíbios, sem citar os insetos a variedade de
plantas úteis à sobrevivência do homem no planeta.
A qualidade da água, e a quantidade também, dependem das
florestas preservadas. E todos os habitantes de um município como Teresópolis
deveriam ser alertados para a falta de água de qualidade para consumo que
haverá nos próximos anos, pois não temos sistema de
tratamento de esgoto, poluímos os rios com resíduos
sólidos, agrotóxicos e todos os tipos de lixo que a população urbana e agrícola
despejam nos rios e nas ruas.
Destruímos, e permitimos a destruição da mata ciliar e da mata
nas encostas, justificando estarmos plantando e cultivando para a sobrevivência
ou que estamos construindo habitações, quer sejam barracos de favelas nas
encostas, (ou casas e condomínios de luxo), quer sejam prédios nos lugares de
casas com jardins e matas preservadas, como acontece em Agriões, Tijuca e
outros bairros degradados de Teresópolis.
Não temos sistema de tratamento de esgotos, mas permitimos
obras e destruição de ruas para termos gás canalizado.
Não temos controle sobre o crescimento da população em áreas
de risco, mas essa mesma população desprivilegiada é “favorecida” com serviços
básicos de infra estrutura com aval dos prefeitos e vereadores, sem esquecer os
deputados e senadores, em troca de votos nas eleições.
O final de tudo isso nos próximos anos, será um caos
generalizado no que diz respeito à saúde, à qualidade de vida, à segurança e
aos serviços ambientais fornecidos pela Mata Atlântica da Região Serrana do Rio
de Janeiro.
As doenças resultantes da má qualidade da vida e da água, as
mortes por desastres e catástrofes relacionadas às mudanças climáticas, a
poluição grave do ar, das águas e dos ambientes serão irreversíveis, graças à
ignorância dos governantes que são facilmente corrompíveis, graças à falta de
educação ambiental de empresários que corrompem os políticos e bancam as suas
campanhas pelos seus próprios interesses e, por fim, graças aos educadores,
representantes da sociedade civil é a população que, nada, ou muito pouco fazem
para reverter este quadro caótico e negro.
Os maiores problemas são o descaso e o desconhecimento em
relação às prioridades, às políticas sociais e aos projetos que visam proteger
a fauna e a flora da Mata Atlântica para que os mais de 120 milhões de
brasileiros, que delas dependem para sobreviver. continuem a usufruir de seus
recursos e serviços com suas famílias e seus descendentes de forma consciente.
A missão do CEAT (Centro de Ecologia Aplicada de Teresópolis)
é:
“Promover a conscientização da população de Teresópolis, e
do entorno, pelo conhecimento e pela preservação do complexo ecológico da Mata
Atlântica através de parcerias, com ações educativas de disseminação do
conhecimento ecológico, visando a sustentabilidade.
Criar e administrar o Parque Cultural e Ecológico Mozart Catão.
Estimular a pesquisa, a produção e a utilização de fontes de
energia limpas, alimentos orgânicos e medicamentos naturais.”