Refletir ao comprar, meditar ao cozinhar e agradecer ao comer

Texto:  Dr.Augusto E.Braga

Refletir ao comprar, meditar ao cozinhar e agradecer ao comer

                Com a escassez de água potável e de alimentos para milhões de habitantes desse planeta enquanto muitos de nós desperdiçamos alimentos no preparo, no prato e nas lixeiras, é necessário que haja reflexão para as nossas famílias.
                Quando muitos de nós compramos alimentos, o fazemos de acordo com os nossos gastos, nossos olhos e nossos bolsos. É raro pesquisarmos as fontes e as origens dos alimentos porque as indústrias de alimentos “facilitam” as nossas vidas com alimentos congelados, em caixas e latas, quando não possuem rótulos e propagandas enganosas em termos de informações nutricionais e datas de validade.
                Deixamos por conta de pessoas desavisadas a função de comprar e preparar os nossos alimentos – FONTES DE VIDA, ENERGIA E SAÚDE PARA TODOS – por simples “FALTA DE TEMPO PARA COMPRAR”. Isto quando não vamos ao rodízio, ou restaurante de comida a quilo na esquina para engolirmos rapidamente a comida por causa de trabalho ou outros compromissos.
                Cozinhar, preparar e servir alimentos são gestos de amor e arte, e como tal podem (e devem) ser acompanhados de meditação (CULINÁRIA SHÔJIN DOS MOSTEIROS ZEN BUDISTAS) e fluidos positivos de quem cuida dos alimentos a serem servidos.
                Muitos conhecem a afirmação: “NÓS SOMOS O QUE COMEMOS”. Mas, no dia a dia, cometemos erros graves na nossa saúde, o nosso bem-estar e, consequentemente a nossa qualidade de vida.
                A maioria de nós tem acesso às informações atualizadas sobre nutrição e saúde, mas os nossos hábitos sociais e culturais são regados à refrigerantes, bebidas alcoólicas variadas e sucos de caixa ou garrafa.
                Sabemos o que faz bem à saúde, mas as batatas fritas, os salgadinhos, as frituras, as pizzas e os churrascos são os nossos favoritos nas comemorações, nos jogos e programas de televisão em família, ou entre amigos, e nas reuniões com amigos.
                Não analisamos o consumo de água que requer cada alimento no nosso prato, não procuramos saber a origem e os cuidados dos vegetas e das frutas que consumimos, enfim não temos noção da energia, da química e da degradação do meio ambiente que acompanham os alimentos que consumimos diariamente.
                Isto sem considerarmos a exploração de homem do consumo e o enriquecimento das “indústrias de alimentos”.
                Hoje, é fundamental que haja uma conscientização das pessoas em relação às fontes de seus alimentos, ao aproveitamento integral (sem desperdício) desses alimentos, tanto na preparação como no consumo e, acima de tudo, a necessidade de agradecermos casa refeição do dia por um privilégio que milhões de nossos semelhantes não têm por causa da falta de uma política justa produção de alimentos, por causa das monoculturas e distribuição dos lucros da agropecuária em detrimento dos recursos e serviços naturais de nossos principais biomas.